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Memoria sobre a cultura, e productos da cana de assucar cover

Memoria sobre a cultura, e productos da cana de assucar

Chapter 61: INDICE
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About This Book

The work provides a practical manual on sugarcane cultivation and product manufacture, combining a botanical description of the cane with detailed guidance on planting, spacing, propagation, harvesting and mill and distillation techniques for producing sugar and aguardente. It critiques prevailing local practices and management, attributing low yields to poor organization and ignorance, and advocates empirical trials, clearer oversight and adoption of improved methods. Detailed observations and comparative recommendations aim to help plan experiments, reduce waste and increase productivity across plantations and processing facilities.

NOTAS
QUE PERTENCEM A ESTA OBRA.




NOTA I. Pag. 4.


Na Provincia do Minho, e em outras partes, há muita uva, que não pode amadurecer, porque as cêpas são encostadas a arvores, cujas folhas impedindo, que a luz toque nos cachos, não se pode aperfeiçoar o seu succo, nem alcançar doçura, condição, sem a qual se não pode fazer vinho generoso.

Estas uvas são sempre azêdas, e o seu vinho quasi não tem valor, por aspero, e inexportavel. He enriquecer aos seus habitantes, e por consequencia ao Estado, o dizer a forma, porque podem fazer vinho generoso, e com todas as qualidades, que lhe adquirem grande valor, e exportação. O meio simples, innocente, e infallivel, para conseguir esta perfeição, he ajuntar ao mosto máo, antes da fermentação, huma certa quantidade de Assucar, maior, ou menor, segundo a qualidade do mosto; porém que nunca poderá exceder a huma arroba por pipa, por mais verde, que elle possa ser; e governar-se a fermentação, assim como se diz nos principios para fazer aguardente. Esta despeza ha de ser compensada com usura na venda do vinho, pelo excesso de verde, a maduro, e bom. Macquer chegou a fazer vinho de verjus, que he huma uva, que nunca amadurece, e se servem della em França para tempero acido, assim como nos nos servimos do limão. Fez tambem, com uva muito má, vinho liquoroso, vinho como o de Tockay, que he feito de uva muito doce, quasi em passa, simplesmente com a addicção do Assucar. Não he preciso, que o Assucar seja branco, basta o mascavado, e mesmo o mel, se houver em abundancia.




NOTA II. Pag. 7.


Boyle pesou huma pouca de terra vegetal, de que encheo hum caixão; depositou nesta terra huma semente de buxo, e a regava, quando era preciso.

Passados annos, pesando este buxo, achou, que tinha cento e tantas libras, e a terra só tinha diminuido algumas onças.




NOTA III. Pag. 9


A luz depura as emanações dos vegetaes, prepara com ellas o elemento, que respirão os animaes, e rehabilita o que a sua respiração tem corrompido; porque o animal inspira ár, e expira gás: o vegetal, pelo contrario, absorve gás, e transpira ár puro; porem este ár á sombra, e de noite, corrompe-se, se a luz o não purifica. A materia, que vive nos animaes, e nos vegetaes, tem huma dependencia absoluta da luz; ella tem a faculdade de penetrar os corpos que toca, produzir nelles calor, desenvolver o que tem no seu seio, e aperfeiçoar os seus succos. As plantas, que são privadas da luz, por muito juntas, ficão delgadas, as folhas, e as hastes de hum verde desmaiado, por consequencia enfermas, e sem darem o producto, que se devia esperar.




NOTA IV. Ibid.


O ar he absolutamente preciso para entreter a vida animal, e vegetal. Se he corrompido, se não se renova, os animaes, e os vegetaes padecem, deperigão, e morrem. Já se disse em a nota antecedente, que os animaes inspiravão ár, e expiravão gás; e que os vegetaes absorvião gás, e transpiravão ár puro. Esta troca reciproca, estabelecida pelo Author da natureza, he a que faz ser o ár, que se respira no campo, tão saudavel, e nocivo, o das grandes povoações.

No campo há toda a facilidade para se fazer esta troca, que tanto se difficulta nas Cidades.

O gás, ou ár fixo, que os animaes expirão, e os vegetaes absorvem, he hum liquido incompressivel, que, não sendo misturado com sufficiente quantidade de ár puro, mata os animaes, que o inspirão, afogando-os, assim como faz a agua, ou qualquer liquido que nos seja visivel; porém elle se conhece so pelos effeitos, nas victimas que faz perecer, e não á simples vista.




NOTA V. Pag. 41.


Franklin navegando em frota na America do Norte, vio serem maltratados por huma tempestade, todos os Navios, e so dois novamente concertados, e alcatroados, sentirão muito pouco os seus effeitos. Vio tambem algumas gôttas de azeite lançado no mar, cuja reunião encheria apenas huma colher, temperar as ondas a mais de cem toezas, com huma celeridade de expanção tão maravilhosa, como a sua divisão; e que este effeito do azeite, ou qualquer oleo, principalmente do vegetal, era sobre tudo efficaz, para evitar o perigo dos mares encapelados. Todas as pessoas, que tem sentido no mar grandes tormentas, sabem, que os mares encapelados procedem de huma grande serra de mar, que agitado pelos ventos, forma huma horrorosa columna, a qual dobrando, ou encapelando, se por desgraça encontra alguma embarcação, seja ella a maior Náo, lançando-lhe dentro milhares de toneis de agua, a faz sossobrar. A pezar de ser Franklin quem isto diz, eu, que sabia o que erão mares encapellados, suspendi a minha crença, parecendo-me impossivel, que huma tão pequena quantidade de materia, fizesse cessar hum tão terrivel effeito: porém a primeira vez, que vi fazer Assucar, e que hum grande fogo lançado debaxo de huma caldeira, fazendo sublevar acima das bordas della alguns palmos o liquido, que continha, e que huma pitada de massa de Mamono, reduzia repentinamente este liquido á sua altura natural, lembrei-me logo da observação de Franklin, e ainda que eu não possa conceber o porque isto se faz; se huma pitada de massa de Mamono, que poderá conter apenas meio grão de azeite, e azeite crasso, he capaz de impedir a sublevação, e fuga do liquido de huma caldeira abrazada, creio certamente, que algumas oitavas de azeite bem expansivel, tal como o de amendobi, de que há abundancia em Angola, lançado por huma seringa de delgado canudo, contra o maior mar encapelado, o reduzirá a onda simples, que não tem perigo de consequencias para os Navios.




NOTA VI. Pag. 69.



O ponto indicado por M. Gentil, he para se fazer o vinho da uva; porém como todos os mostos são compostos dos mesmos principios, com mui pequenas modificações, o que succede no mosto da uva, he commum ao da maçan para a cidra, ao da cevada para a cerveja, ao sumo, e productos da Canna de Assucar, para se fazer aguardente. A passagem da dorna, ou cuba para a pipa, com os acidos mineraes, para impedir a fermentação ulterior; como do vinho de Canna, ou guarápa, o que se pretende he aguardente, tambem he o ponto desta guarápa, passar ao alambique para a distilação.



EXPLICAÇÃO DAS ESTAMPAS.



ESTAMPA I.


FIG. I. Forma dos partidos para a Canna, com doze braças em quadro, e o mesmo de intervallo entre cada partido.

FIG. II. Quadrados longos, que fórmão tambem partidos, com menos intervallo.

FIG. III. Quadrados longos, com outra direcção. A agulha, que está no centro, he para mostrar o alinhamento, que devem ter os pequenos partidos, para a Canna ser plantada de Norte a Sul, e de Leste a Oeste.


ESTAMPA II.


FIG. I. A folha da enxada sem cabo.

FIG. II. A mesma enxada encavada.

FIG. III. O trabalhador com a enxada prompto a trabalhar.

FIG. IV. O mesmo trabalhador, trabalhando.


ESTAMPA III.


FIG. I. He a vista exterior da casa do engenho, tomada ao longo.

FIG. II. He a vista plana da mesma casa.

FIG. III. He a vista exterior da entrada da casa do engenho, que mostra tambem as varandas para picadeiros, e outras serventias.


ESTAMPA IV.


Mostra a fórma de moer Canna, pelo methodo que se propõem.


ESTAMPA V.


FIG. I. Mostra o bangué de tres tachas, com as paredes dos lados abatidas, para se ver o interior; e o fogo fazendo o seu effeito.

FIG. II. Mostra os dentes em prisma para o ensinho, vistos de topo, com a grossura, e fórma, que devem ter, e distancia de huns a outros; o mais escuro he a espiga, que deve entrar no madeiro, onde prende o cabo. A. e B. figura dos dezoito dentes do centro do mesmo ensinho. C. figura dos dois dentes, que devem fazer os lados.


ESTAMPA VI.


FIG. I. Mostra hum trabalhador, cavando com a enxada, como se pratica em França, Inglaterra, etc.

FIG. II. Fórma do raspador para as limpas, ou capinas.

FIG. III. O mesmo raspador de perfil, para mostrar a direcção, que deve ter encavado.

FIG. IV. Figura do ensinho, para arrancar pequenas raizes.

FIG. V. Mostra o balde de valvula trabalhando; a polé póde ser feita de taboas, assim como o sexto circulo, onde se vem os sinaes dos fuzelos, que sustem as duas cordas que prendem o balde, e tambem a corda, que levanta a valvula. O apoio da balança está em tres palmos, e o trabalhador puxa por huma alavanca de seis.

FIG. VI. Pessa onde joga a polé, e que facilita o seu movimento para todas as partes.


ESTAMPA VII.


FIG. I. He o alambique na sua fornalha com o fogo acêzo. O refrigerante deixa ver a figura do capello, fazendo hum angulo de 65 gráos, e o petipé mostra as dimensões do alambique, e fornalha.

FIG. II. He a fôrma de Assucar, vista com a boca para cima.

FIG. III. He a mesma fôrma, deixando ver a abertura do seu fundo.


ESTAMPA VIII.


FIG. I. Faz ver como se fazem cêrcas vivas.

FIG. II. Mostra os ramos entrelaçados, e mergulhados na terra.

FIG. III. Mostra os moirões, e varas para as cêrcas mortas.

FIG. IV. He hum quarto circulo, para dar a conhecer, o que são gráos de elevação. Na linha horisontal do mesmo, se vem duas pollegadas, repartidas em linhas. Huma pollegada tem doze linhas, hum palmo tem oito pollegadas, hum pé tem doze pollegadas.



INDICE

DO QUE CONTEM ESTA MEMORIA.


Descripção da Canna de Assucar, segundo a vista que appresenta. Pag. 1
Como se cultiva actualmente a Canna de Assucar. 2
Notas sobre esta fôrma de plantação. 4
Theoria para a cultura da Canna de Assucar. 5
Como se deve cultivar a Canna de Assucar. 10
Vantagens desta fôrma de plantação. 16
Córte das Cannas. Ib.
Construcção dos engenhos actuaes. 17
Notas sobre esta fórma de construcção. 19
Nova construcção de engenhos 20
Sobre o movimento das moendas. 22
Comparação da roda vertical com a horisontal. 24
Preciso sobre a dentadura das rodas. 26
Como se moe Canna actualmente. 30
Notas sobre esta fórma de moer. 32
Nova fórma de moer. 33
Comparação da moagem actual com a que se propõem. 35
Descripção do que contém a casa de caldeiras actualmente. 38
Como se trabalha na fábrica do Assucar. 40
Notas sobre esta fórma de fazer Assucar. 44
Principios, que devem conduzir o fabricante de Assucar. 47
Preparo para manufacturar o Assucar. 50
Fórma de fazer a decoada. 53
Descripção, e proporções do Bangué. 54
Preparo do barro para clarificar o Assucar. 56
Methodo para trabalhar na fábrica do Assucar. 57
Como se trabalha na fábrica da aguardente. 63
Principios, que devem conduzir o Mestre Aguardenteiro. 65
Discurso sobre o alambique. 73
Ordem do trabalho para fazer aguardente. 78
Sobre o tratamento do gado, e bestas. 80
Cêrcas vivas, e mortas. 82
Lenhas. 84
Carros. 85
Capinas. 86
Notas. 88
Explicação das Estampas. 92

FIM.




























Lista de erros corrigidos

Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:


Original Correcção
#pág. 24 hnm ... hum
#pág. 28 ou ou ambos ... ou ambos
#pág. 42 Quaudo ... Quando


A numeração das páginas foi alterada no índice de forma a corresponder à numeração real das páginas do livro original.