DIALOGO VIII
DOS MOVIMENTOS, E DECORO NO PRATICAR
Foi-se o prior da casa de Leonardo em apparecendo
o dia: e n'ella em vindo a noite se ajuntaram os amigos,
sentindo grandemente a falta d'aquelle que os deixara.
Foi essa a primeira cousa, de que trataram: e
entre outras disse Feliciano:—Por todas as razões se
devia desejar a conversação de tão discreto, e douto
cortezão, como é o prior, em todo o tempo, mas n'este
das noites do inverno muito mais: e n'ellas encherá
elle muito bem o seu logar; porque, além de saber e
auctorisar o que diz com o fundamento das lettras e
curiosidade que tem, é muito composto e engraçado no
que fala: e por extremo me pareceu bem aquelle modo
de encarecer negando na materia do interesse, e o descrever
com brevidade nas historias.—Quanto mais ouvirdes
d'elle (lhe respondeu Leonardo) vos parecerá
melhor. E sabei que, antes de trazer aquelles habitos
parecia muito bem nos de côrte; e que debaixo dos
compridos pode ainda dar lições d'ella a muitos de capa
e espada.—Parte é o falar bem (accudiu D. Julio) que
leva tudo após si: e não consiste este bem só nas razões
discretas e palavras escolhidas, senão no bom
modo e graça de as dizer: o que eu comparo a uma
cousa escripta de boa ou ruim lettra; que a boa aformosea,
e dá ser, côr, e graça ao que lêdes; e a ruim
desconcerta, empeça, e afeia as razões, sendo todas
umas: e não faltarão mui perto exemplos d'esta verdade.—Fujamos
das comparações para a doutrina (disse
Pindaro) e melhor fôra ser essa a materia, em que se
gastára este serão.—Ainda vos ficaram sobejos do passado
(tornou Solino) pois vos adeantaes da companhia:
porém eu a quero fazer ao vosso voto, se ha de ir aos
mais.—Nem a mim me descontenta (disse Leonardo) se
o doutor nos abrir o caminho.—Sempre (respondeu elle)
me mandaes deante como os frades menores nas procissões;
quero-os tambem imitar na obediencia: porém
lembro-vos que são duas materias as que tocou o sr.
D. Julio, convém a saber, a graça, e composição do
rosto e corpo no falar, e o concerto das palavras, e discrição
das razões.—Essa divisão parece escusada (disse
Leonardo) porque a graça não se aprende, nem se pode
alcançar por arte, pois é mero dom da natureza—Todas
as cousas d'ella (tornou o doutor) se aperfeiçoam e melhoram
com a arte: e, para saberdes logo esta verdade,
tomarei á minha conta o em que vos parece que ha
menos que dizer; e fique á vossa a demazia.
Primeiramente no movimento, e graça do falar, chamou
Marco Tullio
eloquencia do corpo: e Quintiliano
disse que com todas as partes d'elle se ha de ajudar a pratica.
E posto que esta doutrina parece que convinha
então aos oradores, como agora aos prégadores, uns
e outros praticam, e em todo o tempo é necessaria: e
assim pintaram alguns o jeroglifico da rhetorica com
uma mão aberta, outra cerrada.—Muito contraria me
parece essa lição (disse D. Julio) á policia da côrte,
onde é regra que o homem ha de falar com a lingua,
e ter quieto o corpo e as mãos.—Eu concertarei essa
regra com as minhas (replicou o doutor), que o homem
no falar nem ha de parecer estatua, nem bonifrate: e
logo vereis que o que quero dizer é o mesmo, em que
vos quereis anticipar. O primeiro instrumento da pratica
é a voz: e, para essa ser engraçada no falar, ha de
ter estas propriedades,
Ser clara, branda, cheia, e
compassada:
porque a voz escura confunde as palavras, a aspera
e secca tira-lhes a suavidade; a muito delgada e
feminina faz impropria a acção do que fala; a muito
apressada empeça e revolve as razões, que por si podem
ser muito boas: não trato das que a natureza inhabilitou
para esta perfeição, como é a voz do gago,
do cicioso, e do rustico grosseiro: mas na do cortezão
tomara eu estes attributos; porque ha alguns que falam
com a voz tão mettida por dentro, que deixam as
palavras para si, e os ouvintes ás escuras, que lhes é
necessario estar espreitando o que lhes querem dizer:
e outros, que pronunciam com tanta aspereza, que espinham
as orelhas dos que escutam; e outros, que falam
tão apressadamente, que parece que levam esporas
na lingua.—Entre vozes (disse Solino) tambem eu
hei de soltar a minha: e no que é a voz cheia, que dizeis,
quizera saber a differença; porque eu tenho que
ainda é peor a muito grossa que a feminina: porque
ha homem que, quando fala, mais parece tom de baixo,
que espirito de voz. E egualmente aborrece vêr um homem
com um rosto como uma peneira, muito versudo
da barba e sobrancelhas, sahir com voz de frauta muito
exprimida.—O meio (respondeu o doutor) em todas as
cousas é a perfeição d'ellas: e se estaes bem lembrado,
tambem deixei de fora a voz grosseira, como a quem
a natureza privou da graça no falar. Depois da voz, os
olhos dão muito espirito ás razões: porque, como elles
são as janellas d'alma, por elles se communica vida ás
palavras: e assim hão de ser claros, alegres e moviveis:
porque os muito intensos, e extendidos entristecem;
os muito apertados e franzidos movem a desprezo; os
muito abertos, pasmados, e sahidos para fora, fazem
temor; e posto que os olhos, por risonhos, nunca perdem
a graça, parece que nas praticas graves, e de importancia,
não hão de ser muito chocalheiros.—N'isso
tendes vós muita razão (disse D. Julio) que ha homens.
que dão olhado ao que falam: porém não vos esqueçaes
das sobrancelhas.—Tambem a acção do falar toma
muito d'ellas (tornou o doutor) porque franzidas fazem
carranca, e mostram que fala um homem com melancholia;
baixas representam tristeza, ou vergonha;
muito arqueadas significam espanto; e levantadas alegria.
E não menos convém a composição da barba, que
fincada nos peitos mostra desconfiança ou porfia; e
posta no ar vangloria: e o pescoço, que nem se ha de
ter tão levantado que faça soberba nas palavras, nem
tão baixo, que pareça que não pode com a cabeça; a
qual não ha de estar tão firme, que pareça que a espetaram
n'elle; nem se hade quebrar para todas as
partes como grimpa. Da mesma maneira a bôcca ha
de ser quieta quando fala, sem estar mordendo beiços,
nem torcendo-se, nem inchando com as palavras; nem
com o riso se ha do mostrar tão descuidada, que as
entorne pelos cantos; nem tão apertada, que offenda
a boa pronunciação e graça d'ellas; no que vae mais
á lingua portugueza, que a outras muitas: porque sabemos
que todas as nações orientaes naturalmente opprimem
a voz na garganta quando falam, como os Indianos,
Persas, Assyrios, e Chaldeus: e todos os Mediterraneos
referem as palavras aos padares da lingua,
como fazem os Gregos, Frygios e Asiaticos: e todos os
occidentaes, como os Francezes, Italianos, e Hespanhoes,
mastigam as palavras entre os dentes, e as pronunciam
na ponta da lingua: posto que em alguns logares,
conquistados outro tempo dos Africanos, ficaram
usos e palavras, que ainda obrigam a sua pronunciação;
mas os que estão mais izentos d'ella são os Portuguezes,
como aqui na primeira noite da nossa conversação
se tocou. Além d'estas partes do rosto tem o
movimento do corpo o seu logar: que pode parecer
airoso, quando fala, mostrando as materias sobre que
fala nos contos, historias, graças ou galanterias, não
representando o que diz com meneios de comediante,
nem com modestia e compostura sobeja, mas com uma
boa sombra, e um termo no persuadir assocegado, no
relatar mais ligeiro, no arguir esperto, no desculpar
ou defender-se mui brando; nem fazer badallos dos pés
quando fala assentado, bolindo sempre: nem estar com
os olhos n'elles quando passeia. Sobre todos os mais
gestos ou acções, que tenho tocado, se ajuda a pratica
do movimento das mãos, que ha de ser com um leve
ar e compostura, com que o discreto favorece as palavras
que diz, não falando com ambas ellas, nem chegando
com alguma perto da vista dos ouvintes; e guardando
estas e outras advertencias semelhantes, pode
fazer um homem uma agradavel gentileza no praticar,
emendando algumas faltas da natureza, ou favorecendo
com o cuidado as graças, que ella lhe dotou: não tratando
dos incuraveis, a que já não possam valer estes
remedios; mas dos que á falta d'elles, e com o largo
discurso de maus costumes se vieram a fazer incuraveis.—Parece
que daes a entender, senhor doutor, (disse
Pindaro) que ha mais algumas advertencias, que podem
ser de importancia n'esta materia: e, para a tratar
de fundamento, não é razão que fiquem de fora.—Para
essas e para o mais, que tenho dito (respondeu
elle), nomearei alguns vicios, que são contra o bom
termo da pratica; que, reprovados n'ella, acreditarão
as minhas opiniões, a que eu não posso nem quero dar
nome de preceitos, posto que são fundadas em os melhores
dos que d'esta materia escreveram.
O primeiro é
escutar-se um homem a si proprio quando
fala, por se contentar do que diz.
O segundo
repetir outra vez o que tem dito, com os olhos
nos ouvintes, para que lh'o gabem.
O terceiro
deter-se tanto nas palavras como que as vae
pezando,
e compondo para as dizer.
O quarto
ir-se arrimando a bordões para que lhe accudam
em tanto as palavras.
O quinto
ir á mão ao que quer responder, por querer falar
tudo.
O sexto
bracejar muito, e dar grandes risadas a seus proprios
ditos.
O setimo
borrifar as palavras com o humidade da bôcca,
por falar com vehemencia.
—Vós (accudiu Solino) formastes aqui uns sete peccados
mortaes contra a discrição, e cortezania, que não
merecerá n'ella ter graça quem n'elles estiver culpado.
Cada um dos presentes examine sua consciencia, porque
receio que falaes de proposito contra alguem.—É
tão má a vossa natureza (lhe tornou o doutor) que
quer perverter a minha boa tenção, e d'estes peccados
contra a policia tirar outros que offendam a amisade:
vale-me porém ser a vossa conhecida. E proseguindo
a materia dos vicios, os tres primeiros nascem do amor
proprio que cada um tem a suas cousas, a que os gregos
chamaram
Filaucia: os quatro seguintes, ou da ignorancia,
ou do descostume e falta de doutrina cortezã.
Escutar-se um homem, quando fala, é de quem bem
lhe parece o que diz: e posto que o vicio é natural,
tem ruim patria; que o homem, que se escuta, é lisongeiro
de si mesmo, e elle se paga por si de suas palavras,
vendo-se e enfeitando-se n'ellas como em espelho,
conforme os proverbios antigos, que
a cada um parece
o seu formoso; e outro, que
não ha melhor musico que
cada um a si mesmo; e que
a cada um contenta o seu rosto, a
sua arte, e cheira bem o seu suor.—Outro (disse Solino) me
parece a mim melhor que todos esses, porque os declara;
e é que
quem se contenta a si contenta a um grande
nescio;
que não pode deixar de o ser o que do seu engano
se satisfaz. E não achareis discreto d'esse feitio, que
não caia nos tres primeiros laços: porque são encadeados
uns com outros: e em se escutando um homem
a si, o vereìs ir encarecendo as palavras com as sobrancelhas,
enchendo com ellas a bôcca, e pronunciando-as
com muito cuidado.—D'esses disse Horacio (accudiu
Pindaro) que
falavam empolas; é está muito bem o
nome á inchação das suas palavras. Mas o segundo vicio,
que é da repetição, parece menor erro; porque o
que é bem dito se pode repetir, conforme ao que disse
o poeta; e só será a culpa quando o dito não fôr acertado.—Essa
estimação não ha de ser feita por seu
dono (respondeu Solino), nem elle pode pôr o preço a
suas palavras, cuidando que fala ouro; em obras alheias,
referidas por outrem, tem logar essa desculpa; e não
se podem servir d'ella os que com os olhos, e com a
repetição do que disseram, estão puxando por vós a
que lh'as gabeis, e vos contenteis á força da sua razão;
e mettem de quando em quando um
entendeis-me? estaes
commigo? digo bem? que vos parece? não sei se me declaro.
De maneira que, para encarecerem o seu aviso, fazem
dos outros nescios. E com este cahem logo no terceiro,
que é deter-se muito em cada palavra, soltando-as por
compasso, dilatando uma da outra, porque se não peguem:
e é vicio, que fará ser aborrecivel a todo o mundo
a quem o tem; e até á mesma discrição fará importuna
este mau uso d'ella. E mais é mui certo andar
annexa esta boa parte a uma fala de doente mui molle;
que tudo junto vem a ser um xarope de semsaboria,
que não ha quem o leve. O quarto não entendo bem,
porque não sei ao que chama
bordão o doutor.—Sabei
(disse elle) que os arrimos, a que se pega ou encosta o
que fala, quando as palavras lhe cançam, se chamam
bordões, e são de duas maneiras: uns que pertencem,
ou
para melhor dizer, que são impertinencias nas acções
do falar; e outros nas palavras: os primeiros são mais
culpaveis que os segundos, porque ha um que não sabe
praticar comvosco sem vos estar desabotoando, ou
alimpando o cotão, e arrancando a frisa do vestido:
outro, que a cada palavra vos pega do cinto, ou travando-vos
do braço vos molesta: e ainda ha alguns tão
desatinados, que vos dão com a mão nos peitos a cada
cousa que dizem: e outros que, se deixam de entender
com quem praticam, o hão comsigo, não estando quietos
com as mãos; esgravatando os dentes, ou bolindo
nos narizes e falando, tirando cabellos da barba, e
mordendo as unhas; e outros vicios semelhantes, que
servem como uns espaços e reclamos, a que lhe acodem
as palavras. Os segundos são mettidos na mesma pratica
com alguns, que em cada palavra d'ella mettem
um
diz,
assim que digo,
tal e qual,
sim senhor,
vae vem,
então,
senão quando,
espere vossa mercê,
assim que senhor,
estaes commigo; e outros muitos, fora os que vós
apontastes
no vicio da repetição, que são bordões da primeira
classe.—Certo (disse Feliciano) que tem muita razão
o doutor em dizer que este vicio e os dois, que se
seguem, nascem do descostume, e falta da doutrina
cortezã: porque eu alcancei ainda por condiscipulo um
estudante, que na opinião dos mais não era tido por o
que falava peior, que, por o grande odio, que tinha aos
bordões, inventou um modo excellente para os desterrar
da conversação dos amigos, com que tratava de
ordinario; e foi um jogo de não menor engenho, que
utilidade; e pelo exercicio d'elle se perdeu até a semente
dos bordões entre aquelles amigos.—Não vos esqueçam
(disse Leonardo) os termos de tão bom jogo,
que já pode ser que occupemos com elle uma noite,
mais bem empregada, do que o remedio será necessario
para os presentes, porque não são dos homens limitados,
que se apegam a estes encostos: e se quereis
conhecel-os, ouvi-lhes contar uma historia, e metter-vos-hão
n'ella mais bordões, do que tem de palavras.—O
quinto vicio (proseguiu o doutor) é incomportavel; porque
ha homens tão sôfregos de falarem tudo; que atalham
as palavras ao que lhes começa a responder, querendo
anticipar com o seu entendimento a tenção alheia.—Esses
taes (disse Solino) falam a duas mãos, porque
querem que vá tudo por elles. E como me acho entre
esses, por não pedir por mercê que me ouçam uma palavra,
deixo o feito sem parte; e como ficam falando á
reveria, desfaço as suas sentenças com uma bochecha de
agua.—Esses faladores são como cigarras, que atrôam,
e não deleitam (disse D. Julio) e é sentença mui approvada
entre cortezãos que tres cousas não ha de haver
entre elles demasiadas,
sobeja parola, comprida porfia,
e grande rizada; porque
quem muito fala d'elle damna
(como diz o rifão)
e com quem aporfia não disputes; e onde
ha muito riso ha pouco siso; que todos estes pertencem á
conversação.—Essa terceira parte (proseguiu o doutor)
é do sexto vicio, que é bracejar quando fala, e festejar
com risadas seus proprios ditos o que se quer vender
por discreto. E assim vereis alguns, que falam ás pancadas;
e se acharem um pulpito deante, o farão em
pedaços, como se a policia podéra soffrer o desassocego
e inquietação da sua esgrima. As risadas, além de arguirem
falta de entendimento, são mais impertinentes
quando um homem festeja seus proprios ditos; que,
para terem galanteria, elle, que os diz, ha de ficar sisudo;
e os que o ouvem, risonhos. E assim os engraçados
de nossos tempos que conhecemos, e outros, que
deixaram esse nome, sabiam festejar moderadamente
as graças alheias, e dissimular o riso nas suas, fazendo
menos caso d'ellas.—Duas cousas (disse D. Julio) se me
offerecem para vos perguntar n'essa materia: e seja a
primeira, que moderação se ha de usar no riso, com
que um homem festeja o conto ou graça do que falla
deante d'elle?—Os homens (respondeu o doutor) não hão
de ser tão sevéros que nunca riam como Catão Censorino,
Anaxagoras, e Sócrates: nem como Marco Crasso,
que rio uma só vez na vida; pois é definição e differença
do homem
ser animal racional, e a sua propria
paixão é
ser rizivel: porém não menos se ha de
guardar
de ser desentoado nas risadas; que, para n'isto haver
uma moderação politica, lhe buscaram os antigos muitas
differenças: e deixando o riso Jonio, Megarico, Sardonio,
e Synclusio, dos quaes falam tantos auctores
gregos, e latinos; colhida d'elles a melhor doutrina, não
ha de rir o homem com a bôcca aberta que dá grande
tom ao riso, nem com os beiços apertados, como costumam
os que tem cieiro n'elles; nem sómente mostrando
os dentes, que a estes chamaram os latinos
riso de cavalgaduras; nem com um riso molle e
affeminado,
como era o Jonio; mas com uma boa sombra e
graça na bôcca e no ar do rosto, com que se mostre,
agradecido do que escuta. E se esta resposta vos satisfaz,
bem podeis continuar com a segunda pergunta.—Ainda
que as minhas (tornou elle) não fôssem muito
a proposito, com o interesse de vossa doutrina ficariam
desculpadas, como será esta: Se na graça, que outrem
conta, em que eu a não acho, sou obrigado em primor
cortezão a me mostrar risonho? Obrigado é o cortezão
(respondeu o doutor) a se mostrar agradavel aos com
quem se pratica: e não o poderia ser quando seccasse
o riso na occasião, em que outrem mette cabedal para
o provocar a elle; que seria mettel-o em desconfiança.—Eu
me dou por satisfeito (disse o fidalgo) e já agora
podereis passar ao setimo erro; em que ha pouco que
discorrer segundo me parece; que nao é mais que um
descuido e desattento dos que, mostrando o fervor do
animo com que falam, borrifam com humidade o que dizem,
e ás vezes a quem os escuta.—Não cuido eu (disse
Feliciano) que são esses os de que trata o proverbio, que
falam fontes de prata.—Antes (tornou Solino) lhes
chamara
eu
homens que falam frescos que nem uma manhã
de abril deixa tao orvalhado um campo do boninas,
como elles a roda dos que os estão ouvindo; e para estas
immundicias houvera de ter a discrição um Almotacé
da limpeza.—Desterrados pois (continuou o doutor)
da conversação estes sete inimigos d'ella, parecerá um
homem cortezão aos que o escutarem, falando agradavelmente
nas palavras as leis que agora lhe der o senhor
Leonardo: que posto que a verdadeira discrição
seja natural, nenhum dos dons da natureza deixa
de receber beneficio da arte, da continuação e dos costumes.—Muito
depressa vos quereis desobrigar (respondeu
Solino) e eu ainda esperava que passasseis pela minha
porta, dando algum toque na murmuração, como
déstes no riso: que tambem estes preceitos são fóra das
palavras.—O riso sim (lhe tornou elle), mas não o murmurar;
que é culpa que não se attribue á pratica, posto
que alguns digam que sem esse sal a mais discreta é
pouco saborosa: e é porque ha muitas cousas, que não
queremos dizer, e folgamos em extremo de as ouvir.
Assim que o que murmura ordinariamente agrada a gostos
alheios de gente ociosa, com risco proprio. Porém,
por fazer as pazes comvosco, entrarei em contendas, de
que estou desobrigado, tocando na murmuração engraçada;
e para lhe dar logar, a metterei no meio de uma
sentença excellente, que diz que
dos animaes bravos a
peior mordedura é a do praguento; e
dos mansos a do lisongeiro.
O praguejar é maldade, o lisongear traição, o motejar
levemente galantaria: o discreto nem ha de morder,
nem lamber; porém picar levemente, e com arte,
é graça da conversação. Para o que, deixando auctoridades,
exemplos, preceitos, e cousas infinitas, que poderão
levar grande tempo: o cortezão, quando arguir
para graça, ha de considerar tres cousas: o que fala,
com quem, e deante de quem. O primeiro por fugir de
materia em que o presente desconfie: o segundo por
não motejar com quem não saiba pesar e conhecer as
galantarias: o terceiro por não falar graças, de que,
algum dos ouvintes se envergonhe: porque de outro
modo, sendo a graça pesada, perderia o nome. Não falo
do murmurar de ausentes, que em todo o modo me parece
culpavel. E bem podiam servir para lei d'estas galantarias
as vossas, que a todos agradam, e que, se aos
ouvintes não fazem fastio, tão pouco aos offendidos
causam queixume.—Lembra-me (disse Pindaro) que no
quinto vicio condemnastes o querer um homem falar
tudo: e não déstes regra aos que falam pouco.—Seria
(respondeu o doutor) por me conformar com uma sentença,
que diz:
Aos que pouco falam, poucas leis lhes
bastam.
Além d'isto até agora não tratei dos louvores do
silencio, nem da verdade d'aquelle dito:
Assás sabe o
que não sabe; se calar sabe. E o outro, que:
O
nescio calando,
parece-se com o discreto. Falo sómente da
maneira de
praticar entre os amigos, onde as palavras não tem
mais que estas duas medidas, que são
falar a tempo,
e
a proposito: a tempo, porque nem em todos se pode
dizer
tudo o que é bem dito.
Nas comidas se ha de fugir falar em cousas que enojem o
estomago, e offendam ao gôsto, ainda que em
outros logares podem dar muito. Entre enojados não
dizer graças, ou contos, que desautorisem a tristeza, e
provoquem a riso. Entre enfermos não contar historias,
que causem temor ou desconfiança em seus males.
Entre ecclesiasticos guardar-se de coisas que saibam
a lascivia, e profanidade. A proposito; porque ha
muitos, que se desviam do principio da pratica, de maneira
que do primeiro salto vão parar a Flandres; outros,
que em tudo querem metter uma historia que
sabem, contar uma nova que lhes veiu, um dito que
ouviram, um sonho que sonharam; e pela deleitação,
que tomam de contar coisas proprias, perdem o decóro,
com que hão de escutar as alheias, e o tento do que
elles mesmos respondem: e tambem me a mim parece
que me vou mettendo nas que não são minhas; que
me fizeram passar os termos de maneira, que nem a
meu amigo ficou tempo para continuar com a segunda
parte d'este discurso.—Vós dizeis tudo tão bem (tornou
Leonardo) que se perde pouco no que eu havia de accrescentar,
quanto mais, que o que se dilata não se
tira; e já ámanhã terei cuidado, ou espaço de cuidar
no que hei de dizer, por não cahir no terceiro peccado
de ir compondo as palavras com o vagar que enfastia.—Em
casa cheia (disse Solino) de pressa se faz a cêa; e
em entendimento tão rico, como o vosso, nem de cousas,
nem de palavras pode haver pobreza: guarde-vos
Deus de uns meus senhores, que as pedem fiadas aos
livros de cavallarias, com suas sentenças de cabo de
capitulo, que se se lhe atravessa um escarro de um
dos ouvintes, varreu-lhes toda a prégação da memoria,
e vão com a pratica em muletas até tomarem assento
com muito trabalho seu, e de quem os escuta.—Hora,
não o dêmos tão grande ao senhor Leonardo
(disse D. Julio) que hoje o não deixemos dormir, pois
ámanhã o havemos de despertar; que as duas noites
passadas foram de hospede, e a conversação dos que
são de mais gôsto, roubam melhor o tempo; e comtudo.
a parte que se tira ao repouso, sempre faz falta,
Começaram-se os outros a levantar, e o velho ainda
os deteve em pé dizendo:—O senhor D. Julio em tudo
tem tenção de me fazer mercês; porém esta não é das
em que fico devendo mais: porque antes quizera poupar
o tempo do somno para viver, que o da vida para
dormir. E se é verdade que na conversação de tão bons
amigos só se vive, qual posso eu ter melhor, que, fazendo
estas noites mais compridas, alargar a minha
edade? que sentença é antiga, que
o tempo, em que dormimos,
perdemos da vida: pelo que chamaram ao somno
imagem da morte.
DIALOGO IX
DA PRATICA, E DISPOSIÇÃO DAS PALAVRAS
Ia crescendo o gosto d'aquelles amigos com o exercicio
de tão proveitosa conversação, de tal maneira,
que nenhum perdia o sentido das materias, que ficavam
tocadas, para se armarem de razões, contos, e
exemplos, com que cada um mostrasse aos outros sua
sufficiencia. N'aquella porém da pratica vulgar ficou
Leonardo muito atalhado, assim por ser cousa em que
tudo pende de opiniões incertas; como porque o doutor
lhe cortara a urdidura, com que havia de ir tecendo
o seu discurso, desejava mudar o proposito a outra
cousa, que viesse mais ao seu; mas como aquelle era
o de todos, não via caminho de o desviar. Veiu pois a
noite do outro dia, e com ella os companheiros mui alvoroçados;
aos quaes elle festejou com a mesma alegria;
e logo, depois que se assentaram, lhes disse: Se
hei de falar verdade, eu estou tão carregado com o officio
que de novo me déstes, que me não atrevo a dar
boa conta d'elle; porque todas as que fiz para me dispôr
a isso, me sahiram erradas: e me parece tão difficultoso
falar de cuidado, e ordenadamente na materia
em que se ha de praticar na lingua portugueza, que
me hei de chamar ao engano, e o maior de todos foi
darem-me espaço para temer, quando eu cuidei que o
tomava para me prevenir.—Em vós (disse D. Julio) é
gentileza esse receio; e ainda que fôsse fingido, eu o
tenho por a primeira regra de falar bem, pois ensinaes
aos discretos a não falarem com sobeja confiança; e
pela que eu tenho de vossa discrição, só em uma cousa
achara difficuldade, que é pôrdes em regras, e preceitos,
o que tendes por natural, e por costume; que servieis
mais para exemplo de quem vos ouve, que para
mestre dos que não podem comprehender a vossa doutrina.—Se
com titulo de me fazerdes mercê (respondeu
elle) quereis que desconfie, mais facil vos será isso, que
a mim o acertar: mas, para que não erre no principal,
digo que não posso fazer escola de falar bem, mormente
entre cortezãos tão discretos, que cada um me poderá
dar preceitos para o ser: mas se disser em algumas cousas
a minha opinião, faço-o para com as razões dos que
a contradisserem aprender a acertar.—Parece-me (disse
Solino) que as melhores duas lições para os discretos
são essas primeiras,
receio, e
humildade. E passando
adiante, começae já a descobrir essa rhetorica, nova á
lingua portugueza.—Por escusar (tornou elle) uma muito comprida;
e dilatada em preceitos, e limites, que á
força se hão-de misturar com os da latina; e por evitar
a largueza da arte, e poupar a paciencia dos ouvintes
para outras noites, accudirei brevemente a alguns
vicios da lingua portugueza, não fugindo dos termos
da latina, nem levando-os a elles por fundamento,
mas fazendo-o n'estas cinco advertencias:
Falar vulgarmente, com propriedade.
Fugir da prolixidade.
Não confundir as razões com a brevidade.
Não enfeitar com curiosidade as palavras.
Não descuidar com a confiança.
—Certo (disse o doutor) que me parece essa uma rhetorica
abreviada, que podia servir a todas as linguas:
porque a confusão dos muitos preceitos e figuras, que
lhe attribuem os mestres d'esta arte, se podem comprehender
debaixo d'esses cinco muito bem achados. E
pois Solino chamou aos meus vicios sete peccados contra
a discrição, podia chamar a estes preceitos os cinco
sentidos d'ella. E tratando do primeiro, como entendeis
falar vulgarmente com propriedade, que em
parte me
parece que o vulgar não guarda muitas vezes o respeito
ao proprio? —Falar vulgarmente (respondeu Leonardo
é qual os melhores falem, e todos entendam
sem vocabulos estrangeiros, nem esquisitos, nem innovados,
nem antigos, e desusados: senão communs, e
correntes, sem respeitar origens, derivações, nem etymologias;
que a linguagem mais pende do uso, que da
razão: e por isso se chama lingua materna, porque nas
mulheres, que menos sahem da patria, se corrompe
menos o uso do falar commum, posto que ellas saibam
pouco da razão de seus principios. E d'isto, e do falar
com propriedade, tenho dito na pratica que tivemos
sobre as cartas missivas; o que não será necessario
repetir agora de novo, mas sómente dar mostra de
que estes dois termos se não encontram: que se o falar
proprio, é com palavras naturaes, e menos figuras da
rhetorica, para ornamento d'ellas; e não usar dos tropos
de allegorias, metaforas, translações, antonomazias,
antifrazes, ironias, enigmas, e outras muitas; isso
se usa na pratica vulgar para se tratarem livremente
as palavras proprias, pois sómente algumas translações,
antonomazias, e ironias se acham n'ella; e mui
raramente outras figuras: e posto que n'isto me detenha
mais do que determinava, me hei de embaraçar
com estas três figuras.
Translação é figura quando
passamos
as palavras de uma cousa a outra, porém com
uma semelhança conveniente, como quando dizemos
uma fonte de sabedoria,
um pôço de
lettras,
um rio de ouro,
um thesouro de partes, ou
de
graças. Esta figura se costuma
usar para um de quatro effeitos, ou para evitar
palavras deshonestas, ou para abreviar razões compridas,
ou por accudir á pobresa da linguagem, ou por
aformosear e enfeitar a pratica. No primeiro modo faz
officio mui necessario, que é dar a entender, por palavras
alheias, cousas que sôam mal por o seu nome proprio,
como dizer:
uma mulher que usa mal de sua formosura;
que se vende a preço;
que se entrega a
Venus;
que
serve o seu gôsto.
Um homem affeiçoado a
ramos;
perdido
por Bacco;
esquecido de si. Tambem, para
abreviar razões,
é de muita utilidade na pratica, como quando dizemos,
ficou em secco,
deitou azar,
torceu a orelha,
deu cinco.
Os outros dois modos me parecem na pratica sobejos,
e culpaveis: o primeiro, porque sempre se ha de
fugir n'ella o enfeite, e ornamento das palavras: e o
outro, porque não faltam na lingua portugueza as necessarias
para cada um declarar o que lhe convém dizer.
A figura da
Antonomazia se usa algumas vezes na
conversação: posto que só nas pessoas, ou partes do
mesmo reino será mais aceite. Entre nós, quando nomeamos
o Poeta, se entenderá Luiz de Camões,
o
Historiador,
João de Barros:
o Duque, o de Bragança:
o
Marquez, o de Villa Real:
a Cidade, a de
Lisboa:
a Coutada,
a de Almeirim; e outras semelhantes cousas, ás
quaes a grandeza deu superioridade das outras do mesmo
nome. A
Ironia, mais que todas, é propria na
conversação,
pois consiste mais na graça, riso, ou dissimulação
do que fala, que nas palavras: esta se considera
em duas maneiras, a primeira tirando a propriedade
ás cousas; a segunda, furtando o sentido ás razões;
uma é mero escarneo; a outra dissimulada subtileza.
A primeira, quando do fraco dizemos que é um
Hercules: do louco, que é um Catão: do miseravel, que
é um Alexandre: e da mulher pouco casta, que é uma
Helena. A segunda, como se disseramos:
Nunca lhe cahiu
a lança da mão ao que a não tomou n'ella:
não lhe
chegou ninguem com a espada, falando do que fugiu:
nunca
pediu nada, falando do que furta:
paga mais do que
deve, entendendo o que paga por justiça. No que pertence
ás figuras me parece que basta esta lembrança.
E as palavras, que se devem escusar para falar vulgarmente,
não hão de ser estrangeiras, nem esquisitas,
nem innovadas, nem tão antigas, que se perdesse
já o uso d'ellas. Das primeiras teem muita culpa os estudantes,
e lettrados, que introduziram as latinas na
conversação, fazendo a linguagem de misturas.—Essa
culpa (respondeu o doutor) é dos mancebos que como no
praticar não teem a madureza, que só costuma a ensinar
a experiencia, cuidam que se melhoram em falar
escuro, e elegante, fazendo na prosa accentos de musica,
ou medidas de poesia.—Muitos lettrados sei eu (disse
Solino) que não são moços, e n'isso o querem parecer,
que falam uma linguagem como sereia, mulher até aos
peitos, e ametade peixe; e são homens, a que não escapa
por nenhuma via o verbo no cabo; e sendo a nossa
lingua de muito bom metal, lhe misturam tanta liga,
que perde muito de seus quilates.—Não tenho por grande
erro (acudiu Pindaro) quando a conversação é entre
doutos, usar de algumas palavras tiradas do latim,
quando forem melhores que as com que nos podiamos
declarar em portuguez: antes creio que, se isto se fôra
introduzindo, viera a nossa lingua pouco a pouco a se
apparentar com ella, e ficar tão polida, e apurada como
a toscana.—E essa (tornou Leonardo) que fructo tirou
do parentesco, se não foi chamarem-lhe alguns auctores
bôrra da lingua latina?—O caso é (disse Solino) que
vós devieis ser affeiçoado á phrase de um cirurgião de
Coimbra do nosso tempo, que por ella se fez famoso,
que disse á moça de um ferido, a quem curava:
Traga-me
um panno corpulento, para fricar os labios d'esta cicatrice.
E a um rustico, que vinha esmechado, respondeu
que não tinha mais lesa que a superficie da fronte; e
tendo palavras com outro, lhe disse que o aniquilaria,
se dissesse alguma cousa em vilipendio de sua dignidade.
E certo que tenho raiva, sabendo que a lingua
portugueza não é manca, nem aleijada, vêr que a façam
andar em muletas latinas os que a haviam de tratar
melhor.—Ha outros (proseguiu Leonardo) que nem
com isso se contentam; e andam buscando palavras
muito esquisitas, que por termos mui escuros significam
o que querem dizer. Como um que se queixava de sua
dama, que de ciosa andava inquirindo os escrutinios
do seu pensamento. E outro a um barbeiro disse, que
lhe rubricára a parede com a sangria.—Alguns (disse o
doutor) conheci eu culpados n'esse modo impertinente
de falar, que por taes eram reprovados: porém o uso
das palavras innovadas não achei ainda entre os portuguezes,
como os hespanhoes e italianos. Nem tenho
por grande vicio aproveitar de algumas antigas, muito
bem usadas em outro tempo, e desterradas, sem razão,
na nossa edade.—Não faltam (respondeu Leonardo) curiosos,
que por acharem pobre a lingua, ou por elles
o estarem de seus vocabulos, fazem alguns ao seu modo:
como um lettrado, que querendo auctorisar umas
casas para certa occasião, disso:
É necessario que as paredes
d'este domicilio sejam alreadas, e que o fato uzivel fique
retendo nas ultimas d'elle. E outro disse de um navegante,
que fôra felice, se não fortuneara tanto no exito da
viagem.
E ao que dizeis das palavras antigas, posto que
em algum tempo fôssem boas, não o ficam sendo na
parte em que se perdeu o uso d'ellas; pois, como já
disse, esse só é o fundamento e razão das palavras: e
assim, não diremos
leixou,
trouve,
dixe,
ca,
sicais,
acram,
leidisse,
e outros vocabulos de que usaram auctores gravissimos
de cujos escriptos podemos aprender a perfeição
da lingua portugueza. E bastou o contrario uso
para n'esta parte poderem seguir os que agora escrevem,
e falam bem.—Com uma só razão (accudiu Solino)
condemnára eu a toda essa turba dos que no falar querem
parecer singulares, e é que não falam para que
os entendam melhor, senão para que pasmem d'aquella
sua estranha eloquencia e galanteria. E haveis de saber
que é lanço muito certo, que os que se contentáram
com saber pouco do latim, falam mais alatinado,
para que os ouvintes cuidem que o sabem: e assim
como virdes cirurgião, ou boticario, que acabou a grammatica
na quinta classe, ponde-lhe abrolho, que o não
tirareis com vinte galgos á estrada do falar commum
e se me esperardes estudante de philosophia em grade
de freiras, vereis uma linguagem meada de logica, que
vos não entendereis com o sentido d'ella. E dos que falam
pela tempera velha, eu o não consentira, senão em
homens de barba larga, penteada sobre os peitos, com
carapuça redonda, e pelote de abas pregadas, que vos
conte historias d'el-rei D. Manuel, e dos infantes em
Almeirim, e de quando D. Rodrigo de Almeida tomou
por compadre a Villa de Condeixa, do filho que alli lhe
nasceu, em tempo do bispo D. Jorge. Porem nos vestidos
justos de agora, e barbinhas turquescas tiradas
pela fieira, e tintas sobre branco, palavras d'aquelle
tempo parecem remendo de outra côr.
FIM DO 1.º VOLUME
INDICE
| Advertencia |
5 |
| Dialogo I—Argumento de toda a obra |
7 |
| Dialogo II—Da policia e estylo das cartas missivas |
22 |
| Dialogo III—Da maneira de escrever, e da differença das cartas missivas |
35 |
| Dialogo IV—Dos recados, embaixadas e visitas |
54 |
| Dialogo V—Dos encarecimentos |
70 |
| Dialogo VI—Da differença do amor e da cobiça |
81 |
| Dialogo VII—Dos poderes do ouro e do interesse |
95 |
| Dialogo VIII—Dos movimentos e decoro no praticar |
110 |
| Dialogo IX—Da pratica e disposição das palavras |
121 |
Lista de erros corrigidos
Aqui encontram-se
listados todos os erros encontrados e corrigidos:
|
Original |
|
Correcção |
| #pág. 67 |
os proprio filhos |
... |
os proprios filhos |
| #pág. 91 |
totos |
... |
todos |
| #pág. 118 |
descuido) |
... |
descuido |