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Historia diplomatica do Brazil: O Reconhecimento do Imperio

Chapter 70: IX
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About This Book

Analisa as negociações diplomáticas que culminaram no reconhecimento do regime brasileiro na Europa após a independência, cobrindo o esforço diplomático entre 1822 e 1827 e o reconhecimento por Portugal em 1825. Examina as dificuldades encontradas pelas missões brasileiras nas cortes europeias, o papel decisivo da presença naval e da cooperação de oficiais estrangeiros, as manobras políticas e os debates internacionais que influenciaram a aceitação da nova entidade política, e organiza argumentos e documentos para mostrar como fatores militares, políticos e diplomáticos se conjugaram nesse processo.




Carta Regia pela qual El-Rei o Senhor Dom Pedro IV. Abdicou a Corôa Portugueza a favor da Sua Filha a Senhora Princeza Dona Maria da Gloria, dada no Rio de Janeiro a 2 de Maio de 1826[77].

Dom Pedro, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'aquem e d'além mar, em Africa Senhor de Guiné, da Conquista, Navegação e Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia e da India, etc. Faço saber a todos os Meus Subditos Portuguezes, que, sendo incompativel com os interesses do Imperio do Brazil, e os do Reino de Portugal, que Eu continue a ser Rei de Portugal, Algarves, e Seus Dominios, e Querendo facilitar aos ditos Reinos quanto em Mim couber: Hei por bem, de Meu motu proprio, e livre vontade, abdicar, e ceder de todos os indisputaveis, e inauferiveis Direitos que tenho á Corôa da Monarchia Portugueza, e á Soberania dos mesmos Reinos, na pessoa da Minha sobre todas muito amada, prezada, e querida Filha, a Princeza do Gram Pará Dona Maria da Gloria, para que Ella, como Sua Rainha Reinante, os governe independentes d'este Imperio, e pela Constituição que Eu Houve por bem decretar, dar e mandar jurar por Minha Carta de Lei de 29 de Abril do corrente anno; e outrosim Sou Servido declarar que a dita Minha Filha, Rainha Reinante de Portugal, não sahirá do Imperio do Brazil sem que Me conste officialmente que a Constituição foi jurada conforme Eu ordenei, e sem que os Esponsaes do Casamento, que Pretendo fazer-lhe com o Meu muito amado e prezado Irmão, o Infante Dom Miguel, estejão feitos, e o casamento concluido; e esta Minha Abdicação e Cessão não se verificará, se faltar qualquer d'estas duas condições. Pelo que Mando a todas as auctoridades, a que o conhecimento d'esta Minha Carta de Lei pertencer, a fação publicar para que conste a todos os Meus Subditos Portuguezes esta Minha deliberação. A Regencia desses Meus Reinos e Dominios, assim o tenha entendido e a faça imprimir, e publicar do modo mais authentico, para que se cumpra inteiramente o que n'ella se contém, e valerá por Carta passada pela Chancellaria, posto que por ella não ha de passar, sem embargo da Ordenação em contrario, que sómente para este effeito Hei por bem derogar, ficando aliás em seu vigor, não obstante a falta de referenda, e mais formalidades do estylo que igualmente Sou Servido dispensar.

Dada no Palacio do Rio de Janeiro, aos 2 dias do mez de Maio do anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de 1826.—El-Rei, Com Guarda.


INDICE




I


A Europa e o reconhecimento 1
Papel da esquadra na Independencia 2
Aberturas de reconciliação 3
Nomeação de Brant e Gameiro 4
Expedições armadas na Inglaterra 5
Encarregatura de negocios de Hyppolito 6
Instrucções a Gameiro 7
Posição diplomatica do Brazil 9
Justificação da Independencia 10
A mediação ingleza suggerida 11
A Austria igualmente medianeira 12
Canning resolve a questão da mediação ou bons officios 13
Canning como interventor a pedido 14
Benevolencia da Austria 16
Hostilidade da Santa Alliança. A Inglaterra e a Austria em pontos de vista diversos 17
Metternich e a Constituição Brazileir 18
A orientação franceza sob os Bourbons 18
Largos planos de Chateaubriand 19
A França no Novo Mundo 20
Inconvenientes para o partido da reacção de uma solução amigavel do conflicto luso-brazileiro 22
Embaraços creados pelo partido da reacção 23
Evolução liberal na Inglaterra e papel de Canning na politica européa 24
O conservantismo de Lord Castlereagh 25
Castlereagh e a emancipação do Novo Mundo 26
Metternich e o Foreign Office 27
Era Canning um democrata? 28
Canning e Jorge IV 30
Influencia de Canning no partido e sua independencia de opiniões 32
Perfil intellectual e politico de Canning 33
Pitt e Canning 35
A libertação da America Latina 35


II


O commercio britannico favoravel ao reconhecimento 37
Differente proceder de Canning para com Portugal e a Hespanha 38
Emancipação das colonias hespanholas da America 39
Emissarios inglezes na America Hespanhola 43
Offerecimento pela Grã Bretanha á Hespanha da sua mediação 44
A doutrina de Monroe e a parte que n'ella cabe a Canning 45
Opportunidade do reconhecimento da America Hespanhola 46
Influxo dos Estados Unidos 47
Canning e as monarchias absolutas 48
Condições de neutralidade no reconhecimento da America Hespanhola 49
Canning entre Portugal e Brazil 50
Interesse de Canning no reconhecimento do Imperio 51
Delongas de Portugal 52
Instabilidade politica no Brazil. Os Andradas e o sentimento liberal 53
Portugal invoca em Londres os antigos tratados de alliança 54
A Chancellaria Brazileira discute o appello portuguez
Concessões do Imperio 59
A opinião publica e a suspensão das hostilidades 61
Solidez da Independencia 62
Conveniencia de transferir para Londres a séde das negociações 63
A personalidade do Imperador 65
A fibra militar 67
Os plenipotenciarios brazileiros 67
A questão do reconhecimento 69
A successão da corôa portugueza 70


III


Primeiros passos de Brant e Gameiro 73
Carta ao marquez de Palmella 74
Resposta do Governo Portuguez 75
Palmella no ministerio 75
Inclinações francezas de Subserra 76
Desafio de honrarias: o Santo Espirito e a Jarreteira 77
Tergiversação da Côrte de Lisboa 78
Attitude do ministro Villa Real na troca dos plenos poderes 79
A Abrilada 80
Pressa da Inglaterra com relação ao reconhecimento 80
A questão do trafico de escravos desde 1810 81
O Brazil e a escravidão 84
A missão Amherst ao Rio de Janeiro. O trafico e José Bonifacio 85
Instrucções secretas de Brant e Gameiro sobre o trafico 87
A França e a Grã Bretanha na Peninsula Iberica 90
Partido tirado pelos politicos brazileiros das rivalidades internacionaes 91
Acção dos enviados brazileiros junto a Canning 93
Esboço de tratado formulado por Brant e Gameiro 94
Canning e a successão 94
Exigencias previas de Villa Real na primeira conferencia do Foreign Office 94
A suspensão das hostilidades 95
Expedição portugueza ao Rio de Janeiro 95
Segunda conferencia no Foreign Office. Canning assume a tarefa de redigir um projecto de tratado 96



IV



Fraqueza dos recursos militares do Reino. Papel glorioso da marinha nacional 98
As prezas de Lord Cochrane 100
Entrevista confidencial de Villa Real com os enviados brazileiros 100
Novas conferencias no Foreign Office. Má vontade da Austria. Juizo de Metternich sobre Canning 102
Projecto de tratado apresentado por George Canning 103
Insistencias de Villa Real e evasivas de Brant e Gameiro 104
Espirito de rebellião no Brazil 105
Aspecto moral da capital brazileira 107
Recusa para a transmissão do projecto Canning 109
Canning transmitte seu proprio projecto de tratado para Lisboa 110
Solicitude de Canning pelas negociações 111
Affazeres da Legação 112
Emprestimo brazileiro prejudicado pela revolução pernambucana de 1824. Esperanças portuguezas. Fuga de Manoel de Carvalho 113
Brant e Gameiro recebem novas instrucções. O armisticio e a successão ao throno portuguez 116
Pretenções portuguezas a suzerania. Vantagens commerciaes offerecidas pelo Brazil 120
Opposição portugueza. Idéas de Palmella. Sympathia de Canning 122
Contra-projecto portuguez 123
Esforços dos enviados brazileiros em favor da paz. Correspondencia entre Brant e Palmella 125
Observações da Chancellaria Brazileira ao projecto de Canning 127


V



Communicação official do contra-projecto. Preparativos de guerra 130
Relações commerciaes do Brazil com a Inglaterra. Opposição de Wellington e Eldon ao reconhecimento 131
A questão do pau brazil 133
Opposição da maioria do gabinete e do Rei ás idéas de Canning 134
Reconciliação do Rei com o seu Secretario de Estado 136
Influencía da Santa Alliança em Lisboa. Mudança benevola para com o Brazil na attitude da Austria. Intriga de Metternich 138
Cordialidade de relações entre Esterhazy e Canning. A Santa Alliança e o reconhecimento das republicas hespanholas 139
A Austria abandona Portugal. Palmella e Subserra mandam ao Rio um emissario secreto. O Imperador e as negociações clandestinas 141
Brant e Gameiro exploram o despacho do emissario. Brant preconiza uma guerra economica 143
O Brazil recusa declarar a cessação das hostilidades 144
Desavença entre Villa Real e os enviados brazileiros. Subsequente reconciliação 145
Desunião moral entre Portugal e Brazil. Razões d'este estado de espirito 147
O papel de D. Miguel. Palmella e Subserra 150
Resolução de Canning 152
Bons conselhos de Canning 154
O reconhecimento em França 156
Interesses britannicos na America Latina 159
Palmella e a Santa Alliança. Replica de Canning ao contra-projecto 160
Intrigas francezas em Lisboa. Hyde de Neuville 162
Linguagem de Canning para o Brazil 163
Circular do Governo Portuguez 164
Deliberação de Canning com relação ao reconhecimento das republicas hespanholas. Despeito de Brant e Gameiro 166
Jubilo dos nossos enviados. Missão de Sir Charles Stuart 169
Canning concilia a Austria. Brant e Gameiro rejeitam o contra-projecto 173
Natureza da missão de Sir Charles Stuart 174
Portugal perde a opportunidade de fazer o reconhecimento. Carta de Brant a D. Miguel de Mello 176
Politica pratica da Inglaterra. Dissimulações de Metternich 177
Urgencia do reconhecimento 178
Resposta de D. Miguel de Mello 179
Mudança radical em Metternich 180
Os adversarios de Canning na sua politica latino-americana. A Austria, a França e a Russia 182


VI



Sir William A' Court, embaixador em Lisboa 187
Chegada de Sir Charles Stuart a Lisboa. Inicio das negociações 189
Instrucções de Canning 191
As negociações e as potencias continentaes 194
O reconhecimento na Europa e na America Latina 197
A entrevista de Combe Wood 198
A Carta Regia. Partida de Sir Charles para o Rio de Janeiro 199
A Carta Regia julgada em Londres 201
A Inglaterra no caso de mallogro das negociações do Rio 204
Opiniões de Neumann 205
A missão Stuart e a nossa Secretaria de Estrangeiros 207
Partida de Brant para o Brazil. Gameiro e Palmella em Londres 210
Perfil de Palmella. Razões da sua popularidade em Londres 212
Palmella e a Independencia do Brazil 215
Palmella, a demissão de Subserra e a agitação de Hyde de Neuville 218


VII



Chegada de Sir Charles Stuart ao Brazil. Acolhimento imperial. Nomeação dos plenipotenciarios brazileiros 223
A situação do Imperio com relação a Buenos Ayres 224
A Inglaterra e a politica platina do Brazil 226
Idéas de Gameiro sobre a questão de Montevidéo 228
Buenos Ayres igualmente solicita a intervenção ingleza 231
As negociações no Rio de Janeiro 232
O tratado e convenção de 29 de Agosto de 1825 240
Ratificação do Tratado e Convenção 245
Palmella e os tratados entre Portugal e Inglaterra 245
Sir Charles Stuart e o tratado de commercio com a Grã Bretanha 247


VIII



O tratado luso-brazileiro julgado em Londres 249
O tratado em Portugal 251
O titulo imperial 252
Critica do tratado 253
O tratado no Brazil 254
Defeza do tratado por Sir Charles Stuart 256
Satisfacção de Canning com o tratado 258
Os tratados com a Grã-Bretanha. Sua não ratificação 260
Motivos da não ratificação. Os favores commerciaes 262
O direito de busco 263
A conservatoria Ingleza 266
Os reus de alta traição 267
A publicação dos tratados 268
Canning e Sir Charles Stuart 271
O texto dos tratados 273
Desvantagens dos tratados 277
D. João VI, Imperador do Brazil 279
Recebimento de Itabayana 281


IX



O reconhecimento nas outras côrtes da Europa 283
A Austria 283
A França 288
A Santa Sé 293
O reconhecimento nas outras côrtes européas 299


X



Fallecimento de Canning. Sua individualidade 306
Appendice 311